quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

INTERLAGOS ANEL EXTERNO




Interlagos , anel externo velocidade pura , pé embaixo 95% do tempo , me lembra a primeira volta que dei no autódromo , a bordo do PORSCHE 550 SPIDER de meu irmão Paulo . Lembra ainda o grande Luiz Pereira Bueno dando um baita trabalho a Reinold Joest nos 500KM de 1972 , apesar de correr com um carro mais fraco . Lembra Celso Lara Barberis e suas três vitórias , uma em 1961 ano em que meu irmão e Luciano Mioso venceram na categoria até 2 litros . Também o grande Ciro Cayres vencedor em 1964 com o não menos grande José "Toco" Martins . Pois bem em 1982 ano em que corri na TEP( D 3 ) estava programada e corremos uma prova pelo anel externo de 3.208 m foram 25 voltas neste circuito fabuloso , parte da não menos fabulosa pista de 8.000m do Autódromo de Interlagos , pista que por vontade dos dirigentes da F.1 foi totalmente descaracterizada e que agora alguns grandes pilotos do passado , Bird , Chico Lameirão , Bob Sharp e outros tentam refazer . O anel externo é de altíssima velocidade , composto pelas curvas "Um " , "Dois" , "Três" uma reta torta em subida que vai até uma curva que antecede os antigos boxes , o "Café" .
Começamos a preparação do carro trocando a relação de marchas da 1ª e 2ª , já que não precisaríamos usa-las , optamos por uma "Caixa um" bem mais curta , com a 3ª marcha 0. 78 e 4ª 0.96 e diferencial 8/31 que eu já usava . Com este cambio eu poderia pular na largada junto com meus adversários , esquecendo o trauma de largar com aquela " Caixa 3 " que tanto me atrasava nas largadas . No meu caso usaria a 3ª marcha para fazer a curva "Três" e o resto do circuito seria todo em 4ª marcha . No primeiro treino na 5ª feira dois sustos , o primeiro ao chegar a curva "Três" haviam pintado o muro que circunda esta curva de branco , e como na temporada inteira ele estava sujo ao chegar e passar pela curva percebi como passávamos perto dele , ainda mais fazendo a saída da curva com o traçado que usaríamos para o "Anel externo" , o segundo na primeira volta que vim forte foi ver o contagiros chegar à tomada da curva "Um" a 7.200rpm bem mais rápido que chegava quando fazia o circuito completo . Passados os sustos era uma maravilha , pé embaixo o tempo todo , fazia a "Um " cravado e só ia tirar o pé e frear na "Três" uma freada fortíssima , contornada a curva engatava 4ª uns 200m depois e dai para frente pé embaixo de novo , a tomada e contorno da curva "Um " eram rapidíssimos , não sei precisar a velocidade que chegava mais fazer cravado dava um certo friozinho na barriga . Carro bem feito , chassi com um trabalho ótimo do Carlão e motor do sempre competente Chapa ia largar na primeira fila , não lembro a posição , mais pensava , "vou dar um susto neles , vou largar junto e se der ganho esta corrida " Os mais rápidos eram o Mogames com o carro em que havia sido vice campeão da D.3 em 1981 e que estava ganhando todas as corridas , o Laercio com o carro que havia sido campeão da D. 3 no ano anterior nas mãos do Amadeu Campos , Elcio Pelegrini multicampeão da F. Vê , José Antonio Bruno , Amadeu Rodrigues , Marcos de Sordi , Bé , Alvaro Guimarães , José Ferraz alem do Duran , Orlando , Artur da Cruz , Aristides , Sueco , e o amigão João Lindau . No domingo , antes da largada era só nela que me concentrava , pulando bem ia brigar lá na frente . Placa de um minuto , primeira engatada "é hoje" , placa de trinta segundos , motor a 7.000 rpm , farol vermelho , farol verde , o pulo foi perfeito , larguei na frente , a hora que fui engatar segunda ela não entrou , não sei se foi erro meu ou o cambio que nunca tínhamos usado e para não mostrar aos outros que tínhamos uma primeira mais curta eu não havia testado a arrancada suficientemente só sei que cai umas dez posições , não tanto quanto quando largávamos com a "Caixa três" pois estava no embalo , mais outra vez eu tinha de fazer uma corrida de recuperação . Passei a primeira volta já em quinto e na segunda já vinha em quarto perseguindo o Elcio , três ou quatro voltas depois estava embutido nele , só que ele era uma pedreira , estava difícil achar um espaço para ultrapassa-lo , vínhamos os dois de pé no fundo , na curva "Um" via sua luz de freio acender , só que seu carro não perdia velocidade ( depois ele me contou que dava um toque no freio com o pé esquerdo para abaixar a frente do carro ) , na curva "Três" a freada era no gargalo e alem disto nossos motores empurravam igual . Lá na frente o Mogames reinava absoluto , com o Laercio logo atrás mais sem condições de pressiona-lo , nesta altura virávamos cada volta no tempo de 1.04s o que era bem rápido . Lá pela sétima ou oitava volta eu embutido no Elcio chegamos à curva "Um" , cravados a tomamos e a hora que vi seu carro estava de frente com o meu e eu olhando em seus olhos , exageros à parte foi um baita susto , estávamos andando no limite e muito rápido , só lembro de ter tirado o pé e saído pelo lado , graças a DEUS sem toca-lo . Ai estava em terceiro , só que o Mogames e o Laercio tinham ido embora , na próxima volta quando vi eu estava saindo da "Dois" e eles quase na freada da "Três" , tentei andar o mais rápido possível e cheguei a descontar um pouco , mais lá pela décima quinta/sexta volta meus pneus começaram a dar sinais de fadiga e o contagiros já não chegava ao final de "Retão" aos 7500rpm do começo . Assim terminamos , Mogames ,Laercio e eu em terceiro . Ah!!! aquela errada de marcha , não digo que teria vencido , mais teria dado trabalho , lá de cima o Lindau deve estar dizendo " alicatãooooooooooo "
Rui Amaral Lemos Jr.


Leia mais: http://ruiamaraljr.blogspot.com/search/label/divis%C3%A3o%203#ixzz0d9Q5ssGb

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

GOSTA DE DIVISÃO 3






Quer correr com um div-3 pra matar a saudade da melhor categoria que existiu no Brasil, então entrem em contato com o Tito.
Alem dos modelos serem os mais perfeitos proporcionalmente de todo o mercado tem a vantagem de se conseguir rebaixar o carro o maximo possivel, os modelos em resina possuem oo paralamas muito espessos.
Alem de Fuca, Brasuca ele ta fazendo Zé do Cachão, gol e passat.
Eu posso provar que os carros são otimos pra se montar um scratch-bilding.Uso mecaninca SCZ por curtir o motor e a relação de potencia, mas a carroceria aceita slot.it, ninco, scalextrix, ostoreto, slotrac, e chassis artesanais como os do Bifulco e do Pierre.
Pra falar com o mestre Tito entrem aqui:http://titotilp.blogspot.com/


MATERIA FEITA POR PAPERLOTCAR EM 16/01/2010

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

EUCALIPTOS



Recebi esta foto do Ferraz, nela vejo meu amigo Orlando ponteando um pelotão quase chegando a curva "Um" no belo eucaliptal que hoje não existe mais. Escondido pelo carro azul vejo o Ferraz, atras do Passat branco o Duran. Será que algum dos meus amigos presentes poderia contar a história dessa corrida? 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

TODOS OS D3

Olha o que eles estão fazendo! O Tito, Fabiano e Caranguejo estão catalogando todos D3, que correram por aqui e estão fazendo essas maravilhas, veja no blog  http://titotilp.blogspot.com/ ainda não fizeram nenhum de meus carros e o do Orlando, eu por escrever demais e o Orlando por nos deixar tempo demais sem uma matéria sua!


Meu amigo Expedito. "Velho" você faz falta! Ontem jantei com seu filho .


Meu amigo Jr, dois carros.


O Bé,amigão piloto de primeira o Pica Pau é da fabrica de escapamentos Grand Prix


Duran dele já escrevi bem no "Histórias" e Dalécio .

domingo, 29 de novembro de 2009

CAIXA 3


Duran quase a meu lado ,já embalado .

Alguns metros a diante ele está já na minha frente .                                                                                  


Vivo escrevendo que a CAIXA TRÊS , atrapalhava minhas largadas , agora nos arquivos do Duran e do Orlando achei algumas fotos de largadas e vou mostrar o que acontecia . Em primeiro lugar , a CAIXA TRÊS foi uma criação de ninguém menos que o grande Crispin ,eram feitas pela M.M que comercializava os Pumas e tinha uma equipe de corridas . Sendo as relações de cambio de um VW normal , feitas para andar na rua , a 1ª marcha era curta para aproveitar a potencia do motor nas saídas , e as outras marchas seguiam até a quarta , feita para andar em estradas , a distancia de relações entre elas era enorme , o que em corridas , com um motor que girava absurdamente mais , eram impraticaveis . Que eu saiba o Crispin fez a caixa 1 , 2 e 3 , que poderiam ser usadas com diferentes relações de coroa e pinhão , a 8/31 , 8/33 , e 8/35 adequando o cambio à pista onde fosse realizada a corrida , alem disso existiam varias relações de 3ª e 4ª marchas , lembro que a 4ª que usava nesta época era 0.96 . A CAIXA TRÊS possuía uma primeira e segunda marchas longuíssimas , aproximando as quatro marchas , assim podendo aproveitar melhor a curva de potencia do motor e usar marchas especificas em curvas especificas . Muitas vezes usei a CAIXA TRÊS com diferencial 8/31 o que em um motor que girava à 7500 RPM , levava a 1ª marcha com os slics de aro 13 da Pneubrás e 20 de altura alcançar absurdos 100/105km/h . Depois que o carro embalava era uma delicia , em Interlagos a tocada era assim . "UM e DOIS" 4ª , "TRÊS" 3ª , primeira perna da "FERRADURA" entrada em 4ª 3ª na tangencia e 2ª já na tomada da perna a esquerda , "SUBIDA do LAGO" ( eta curva complicada ) entrada em 4ª e no meio da curva 3ª , "SOL" que maravilha de curva 4ª , "SARGENTO " 2ª , "LARANJA" 3ª , entrada do "S" 1ª segunda perna a esquerda 2ª , "BICO do PATO " 1ª , "JUNÇÃO" 2ª na entrada e logo a seguir 3ª , sendo a 4ª engatada no antigo "CAFÉ" . Era muito bom de guiar , lógico feito pelo Crispin !! só que a largada era complicada , o motor tinha que ser mantido em giro alto , senão os WEBER 48 encharcavam as velas e sua corrida acabava ai , a hora que abria o sinal verde era uma loucura , todo mundo te passava e você ali controlando os giros do motor e a embreagem , que não podia ser solta de cara , mais sim aos poucos , com o motor em giro alto . Nas fotos acima dá para observar , na primeira estou a poucos metros da largada com o Duran atrás de mim , na segunda ele já me ultrapassou e os de trás estão chegando , já na tomada da "FERRADURA" estou atrás de todos aqueles carros . Ai tinha de andar forte o tempo todo para descontar o tempo perdido na largada . Sei que a criação do Crispin foi ótima , só que os Pumas , eram mais leves , e as corridas mais longas , era muito bom guiar com elas , só que nos VW elas davam este trabalho todo .
Fotos arquivo Duran e Orlando Belmonte Jr
Dia 06/04/2009 de Miguel Crispim Ladeira :" Rui , gostaria de esclarecer que as caixas de câmbio especiais que fizemos na Puma , contou com a participação do Jorge Lettry e também do Alberto Blazek , que foi quem construiu as engrenagens em sua fábrica próximo da estação da Luz ou seja
não fui eu que desenvolvi sozinho certo . Um grande abraço , Crispim ."


Escrevi este texto no dia 18/03/2009 para o Histórias e dias depois recebi o e-mail do Crispim comentando-a . Quero oferecer esta postagem ao Crispim por tudo que ele fez e Graças a Deus continua faz endo por nosso automobilismo e pela pessoa especial que ele é . Crispim um grande abraço do amigo . Rui

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

A primeira corrida a gente nunca esqueçe - Orlando Belmonte Junior

Orlando Belmonte Junior .
Orlando com "Espanhol" grudado e Wagner Kondrat , saída da "Junção" .

" Assim como o Duran também fiz o curso de Pilotagem na escola do Toninho de Souza , e conclui em 28/01/1981 ... ai a outra batalha , arrumar um carro , só consegui compra-lo um ano depois . Um dia passando em frente de uma oficina mecânica a Rally , vi aquele Fusca laranja , conversando com o pessoal da oficina o Beto e o Tecão , fiquei sabendo que o dono era o Mané Simião e que o carro estava a venda . Negociei e comprei o carro dele , já achando que poderia coloca-lo na pista. Porem o carro tinha alguns problemas de desing , já estava um pouco ultrapassado . Quem me deu as dicas o Alan Magalhães , ai levamos o carro para uma funilaria e começamos a transforma-lo . Depois de pronto começou o pintura , idealizada pelo Alan e foi ele mesmo que pintou . Assim que ficou pronto levamos o carro para pista , foi grande nossa emoção . Ligamos o motor, os pés começaram a tremer , ao sair do box me atrapalhei um pouco , pois estávamos usando um cambio Hewland de 5 marchas , que não era permitido na T.E.P , e ao engatar a 1ª entrou outra marcha e queimei toda embreagem , o que foi o fim deste nosso primeiro treino . Depois de considerarmos sobre o cambio , decidimos trocar o Hewland por um cambio nacional , ficou tudo muito bom e fomos treinar novamente , só dei umas cinco voltas , mais deu para sentir o carro e ir me acostumando a ele . Na semana seguinte teria uma prova de T.E.P e me inscrevi , já com o carro dentro do regulamento . Na classificação começou a vazar óleo da tampa de válvulas , e justo na curva do "Sol" acabei dando uma rodada e me classifiquei em ultimo . No dia da corrida nem sair do box consegui , problemas no carro nos obrigaram , eu e minha equipe , a ir embora mais cedo , fomos de cabeça erguida , preparar o carro para próxima corrida que seria dia 24/07/1982 . Na classificação meu pessoal já me alertava " só tem leão aqui " minhas pernas tremeram ainda mais , só que novamente tivemos problemas mecânicos e não conseguimos largar .
Na minha primeira largada o grid foi este :
Carro Piloto Tempo
26 Elcio Pelegrini 3.23.73 m
3 Ricardo Mogames 3.25.43
7 José Antonio Bruno 3.26.41
17 Laercio dos Santos 3.26.86
8 Rui Amaral 3.28.26
40 Amadeu Rodrigues 3.32.66
88 Marco de Sordi 3.33.77
37 Aristides Dalecio 3.37.56
38 Alvaro Guimarães 3.38.49
41 Claudio Gomes 3.40.67
68 Luiz Eduardo Duran 3.46.10
4 Luiz H. Pankowski - Conde - 3.47.31
28 Clerio M. de Souza - Bé - 3.47.37
118 Alessio Durazzo Neto 3.48.68
77 José M. Ramos - Espanhol - 3.50.88
98 Wander Kondrat 3.54.89
19 José Ferraz 3.57.24
99 João Lindau 4.43.93
13 Orlando Belmonte Jr s/tempo
No dia 25 domingo de minha primeira corrida , era pura ansiedade , pois eu ia largar em ultimo e dezoito feras na minha frente , foi quando o Amadeu Rodrigues chegou para mim e disse " vou te dar um toque , na hora da largada todos vão se afunilar na curva "Um" , você não tem nada a perder , fica por fora onde ninguém anda pois é sujo , e no meio do bolo você vai acabar passando um monte de gente " foi exatamente o que fiz e logo na primeira volta estava já estava entre os oito primeiros , porem três voltas depois começou a vazar óleo de minha tampa de válvulas , acabando ai minha primeira corrida . Mas valeu a pena pela excelente largada que fiz . Valeu !!!! a história continua ........"

domingo, 22 de novembro de 2009

Luiz Eduardo Duran- A primeira corrida a gente nunca esquece.





" Naquele ano de 1977 eu tinha feito a escola de pilotagem do Toninho de Sousa , e estava preparando meu VW de D3 para correr o Campeonato Brasileiro de 1978 , como o carro estava pronto resolvi fazer a ultima corrida do campeonato em Interlagos . Na época a pista estava em reforma , por isso nossos boxes eram no estacionamento que havia no "Sargento" . Na escola usávamos somente o circuito interno , na "Junção" em vez de subir , descíamos contornando a "Quatro" ao contrário , por este motivo não estava acostumado ao circuito inteiro , ou seja "Um" "Dois" e "Três" para mim eram desconhecidas . Já nos treinos achando que fazia a "Um" e "Dois" rápidas , tomei uma ultrapassagem do Edgard de Mello Filho entre as duas , só ouvi o ronco de seu Chevette , e a hora que vi ele estava me passando numa velocidade que para mim era absurda .
Tomando mais conhecimento do circuito completo , já que treinei toda vez que a pista abria , consegui me classificar para a largada em 12º lugar , embora alguns dos trinta carros que largaram não tivessem feito classificação .
No grid ao olhar para o lado vejo o Adolfo Cilento , já me arrepiei todo ,pois sabia que ele era um piloto rápido e eu era seu admirador , ao baixar a placa de um minuto ele olha para mim e faz um sinal de positivo , ai sim pensei "o que faço aqui?"
Eu estava acostumado a racha ,e na largada aproveitando-me de uma primeira mais curta pulei bem , entre a "Um" e "Dois" estava em 4º ou 5º , olhando no retrovisor me assustei com aquele bando atrás de mim , todos pilotos experientes brigando por uma posição , todos "babando" ai rápido e tentando não atrapalhar ninguém joguei o carro para grama , eu não era bobo de ficar com aquela turma , nisto perdi tudo que havia ganho na largada e mais um pouco .
Estacionei entre as duas curvas e só sai quando o ultimo carro passou , estava um "pouco " assustado , continuando ainda passei um ou dois carros , quando do meu box me sinalizaram para que eu entrasse , era 4ª ou 5ª volta , e vazava óleo do retentor traseiro do motor , fiquei aliviado , pois ainda não estava completamente acostumado ao circuito todo , estava achando tudo uma loucura ."

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

ESTREANTES E NOVATOS

José Martins Jr e seu Puma .
Os carros da KINKO , muito bem feitos .

1971 , naquela época as corridas , principalmente de estreantes e novatos eram poucas , já havia estreado em Março e agora ia fazer minha primeira corrida na Divisão 3 . Aluguei um carro da equipe de Pedro Victor DeLamare , um VW azul marinho , pilotado antes por Marcio Brandão filho de Oswaldo Brandão e primo do meu amigão João Lindau . Fiquei louco para acelerar logo que vi o carro , seus Weber 48 , suas rodas Scorro se não me falha a memória 6 pol. na dianteira e 7 na traseira com pneus Pirelli Cinturato 165 na dianteira e 185 na traseira , sua caixa de cambio era Caixa 3 , o volante lembro até hoje , um Fittipaldi . Banco concha e cinto só abdominal !! Lembro até numa vistoria do Barão - Wilson Fittipaldi - me dizendo que uma das hastes do volante estava amassada . O contagiros estava quebrado , quando disse ao Pedro ele me mandou pilotar de ouvido ! Estava louco para entrar na pista , nada importava queria acelerar .
Na primeira saída , aquela 1ª marcha super longa , com a susseção 2ª , 3ª , 4ª bem próximas , no meio do "Retão" já estava engatando a 4ª . Seu motor usava um comando de valvulas P 3 , desenvolvido pela MM uma cópia do Iskanderian 10/10 , acredito que tivesse uns 100 hp , ah! ia esquecendo seus freios eram a tambor !!!!!
Logo me adaptei ao carro e comecei a andar forte , devo naqueles testes e treinos para corrida ter dado umas dez rodadas , fazia parte .
A corrida seria em duas baterias de seis voltas cada e os favoritos eram o Puma do José Martins , preparado pela MM -um abraço Crispim - e os carros da KINKO muito bem feitos e tendo seus pilotos Hiroshi Yoshimoto , Kenety Yoshimoto e José Maldonado já disputado algumas corridas na categoria . Outro piloto que havia estreado comigo tambem correria Alfredo Guaraná Menezes . No grid uns trinta carros e eu estava na segunda fila atrás do Puma das feras da KINKO e ao lado do Guaraná .
Na largada minha Caixa 3 me deixou em ultimo , tendo todo mundo me ultrassado , numa corrida de recuperação e fazendo mais de vinte ultrapassagens terminei a primeira bateria em 6º lugar .
Na segunda bateria lembro de ter largado um pouco melhor , mas tendo que fazer mais de dez ultrapassagens foi muito difícil chegar nos ponteiros , o Guaraná e eu não tínhamos condições de enfrentar aqueles "foguetes" . No resultado final das duas baterias venceu o Puma do José Martins - piloto , dentista e uma simpatia - tendo Hiroshi Yoshimoto em 2º , Paulo Kondrckti em 3º , José Maldonado em 4º , Guaraná em 5º e eu em 6º . Guaraná na época começava mais já era rapidíssimo , depois veio a se tornar um dos mais rápidos pilotos que tive oportunidade de ver .
Essa foi minha primeira experiência na Divisão 3 , naquele ano ainda corri mais duas ou três vezes com o mesmo carro , inclusive na preliminar do Torneio Sulan . Quebrei em todas , o interessante é que corria com o número de Pedro Victor 0 84 .


O Ranking Auto Esporte de estreantes e novatos 1971 .

Agradeço as fotos a José Martins Junior e ao Felipe Nicolielo - http://www.pumaclassic.com.br/

domingo, 18 de outubro de 2009

O FIM DA PROMESSA DA DIVISÃO 3




O fim da Promessa da Divisão 3
Em 1971 o automobilismo começou a ser dividido em categorias em uma forma mais condizente ao profissionalismo. Ao passo que durante os anos 60 as provas geralmente incluíam carros de diversas categorias (GTs, protótipos, carreteras e carros de turismo, até misturados com monopostos) a tendência passava a ser de estabelecer corridas de categorias específicas, mesmo que isso significasse grids menores. Entre outras coisas, começava a ficar perigoso incluir numa mesma corrida carros potentes e rápidos como a Lola T70, Ford GT40 e Porsche de corrida com DKWs, Fuscas e Gordinis levemente envenenados. Ou seja, a partir de 1971, os carros de turismo passariam a correr numa categoria própria (*)
A categoria dos carros turismo seria a Divisão 3, que permitia alto nível de preparação dos bólidos, tanto no conjunto motopropulsor como nos pneus e na carroceria. Em tese, todos os carros de produção brasileiros (salvo GTs como Puma e Lorena, enquadrados na Divisão 4 ou 2) poderiam participar das corridas. Mas na prática, nos dois primeiros anos da Divisão 3, a categoria basicamente era disputada com VW na classe A, FNM e Opala 2500 na B, e Opala 3800 na C. O Dodge Dart e o Ford Galaxie podiam se enquadrar na classe C, mas nenhum preparador se aventurou a preparar os carros grandalhões para a categoria. Na A, para carros de até 1600 cc, o Corcel se enquadrava, mas raramente era usado, exceto em corridas no Rio Grande do Sul, onde existia a classe até 1300 cc. Os velhos Gordinis e DKWs também se classificavam, mas estavam ultrapassados. Na Classe B, a menos concorrida, de vez em quando corria um velho Simca - nem pensar em Aero Willys.
O primeiro ano do CBVT (Campeonato Brasileiro de Viaturas Turismo) não foi promissor, com a maioria das provas canceladas, inclusive datas reservadas para corridas em Salvador, Paraná, Recife. Acabou composto de três provas de longa distância no Rio Grande do Sul. No segundo ano, as provas passaram a ser sprints, geralmente provas de duas baterias, o número de concorrentes de boa qualidade aumentou, e o número de provas também (quatro).
O campeonato teve um bom ano em 1973. Além de contar com 6 provas, havia diversos carros competitivos na Classe C e na Classe A, enquanto a B se tornava moribunda. Os grids freqüentemente tinham mais de 40 carros, e diversos nomes despontavam na categoria: Antonio Castro Prado, Luis Landi, Ingo Hoffmann, Celso Frare, Julio Tedesco, Alfredo Guaraná, Edson Yoshikuma. Entretanto, ocorreram dois fatos que afetariam imensamente a Divisão 3 nos anos seguintes: um positivo, e outro negativo.
Do lado positivo, o Maverick e Chevette foram lançados no Brasil, e logo adotados na categoria, adicionando um pouco de diversidade ao domínio de Opalas e Fuscas. O Maverick, que estreou na última etapa do campeonato de 1973, logo viria a suplantar o Opala na categoria, e trouxe a variedade que era importante. Do lado negativo, pelo menos para essa categoria, se iniciaram as corridas de Divisão 1.
Há quem diga que os brasileiros gostam mesmo é de corridas de carro turismo, daí o tremendo sucesso da Stockcar. Segundo os proponentes dessa tese, essa é a razão das categorias de monopostos e carros esportes não vingarem. Não tenho opinião formada, mas é quase intuitivo que é mais fácil e barato disputar corridas com carros de rua adaptados, do que com caros e frágeis monopostos e protótipos. Portanto diria que, acima de tudo, a questão é econômica.
O problema é que a Divisão 1 veio oferecer uma concorrência quase desleal à Divisão 3. Os carros de Divisão 1 tinham pouco preparo e usavam pneus radiais, portanto, eram muito menos caros de montar e manter do que os Divisão 3, categoria que permitia alto nível de modificação, pneus importados, etc. Por outro lado, os carros de Divisão 1 trouxeram de volta as corridas de longa duração ao Brasil, atraindo um número muito grande de patrocinadores, pilotos de categoria, e pior, a atenção e investimento das fábricas. De fato, nos quatro primeiros anos da Divisão 1 houve épicas batalhas campais entre os Maverick e Opalas.
1974 foi um ano difícil para o automobilismo brasileiro, mas para a Divisão 3 havia esperança: a Equipe Hollywood preparou um Maverick altamente competitivo, que seria dirigido por Tite Catapani e durante o ano, apareceria também um Maverick da Equipe Mercantil Finasa Ford. O campeonato incluiu os 500 km de Interlagos, com um número grande participantes de boa qualidade, e uma prova em Fortaleza.
Para 1975, o campeonato contaria com o patrocínio da Caixa Econômica Federal. Teria 6 provas, todas realizadas em conjunto com as provas de Fórmula Ford. A Hollywood voltou a participar com o Maverick-Berta, agora dirigido por Luis Pereira Bueno, e a Mercantil Finasa teria como principal piloto Paulo de Mello Gomes. A principal concorrente com Opalas seria a Equipe Itacolomy, mas ainda havia diversos exemplares do carro em condições de competir no Brasil. Além de muitos fuscas bem preparados, a ex-Brasilia de Ingo Hoffman com Francisco Gondim, além do Chevette de Edson Graczyk.
Entretanto, para azar da Divisão 3, a Divisão 1 não só continuava na preferência do público, como contaria com a participação do piloto de Fórmula 1 José Carlos Pace, e até mesmo participação de pilotos estrangeiros, como o argentino Juan Maria Traverso e o uruguaio Pedro Passadore, dando-lhe grande prestígio.
Luis Pereira Bueno ganhou a primeira corrida do ano, com ótima atuação e recorde da categoria para Interlagos, 3m11s, mas daí por diante, teve azar nas próximas quatro provas. Embora seu carro fosse reconhecidamente o melhor da categoria, quem estava levando os troféus para casa era Paulo Gomes, com o Maverick da Mercantil-Finasa. E para piorar as coisas para o lado do Luisinho, o gaúcho Julio Tedesco, com Opala da equipe Itacolomy, conseguia na base da consistência, acumular muitos pontos durante o curso do ano.
Assim, na última prova do ano, que seria realizada em Interlagos, dois pilotos tinham condições de abocanhar o título da classe C: Paulo Gomes e Julio Tedesco. O primeiro já somara 86 pontos, e o segundo 68. Nenhum outro concorrente chegara a somar 30 pontos, inclusive o azarado Luisinho, que só tinha 20. Na classe A, os dois papões eram Amadeu Campos e Vital Machado. O primeiro chegou na final com, 50 pontos, e o segundo, com 42. Jose Fusetti tinha 38, e Ronaldo Eli e Arturo Fernandes tinham 35, portanto os três tinham chances matemáticas de ganhar o campeonato.
Curiosamente, Paulo Gomes, que pretendia fazer uma temporada na Europa em 1976, não estava presente na final para se defender de Tedesco. Em seu lugar, na Mercantil Finasa Ford, estava Bob Sharp, o piloto que o substituiria no ano seguinte. A tranqüilidade de Paulão era explicável: Tedesco tinha uma tarefa difícil pela frente, pois tinha que ganhar a corrida. Só isso lhe daria o título. É certo que àquela altura do campeonato fazia sentido contar com uma possível quebra de Luisinho, mas este não era o único piloto forte na corrida. Bob Sharp tinha chances de vitória, com um Maverick novo, e o velho Lobo do Canindé, Camillo Christófaro, estava presente com um Maverick muito bem preparado. Além de Tedesco, a Itacolomy trouxe dois outros carros para “ajudar” Tedesco: Reynaldo Campello e Norberto Jannuzzi. Além disso, alinharia um raro Dodge Charger, nas mãos de Leopoldo Abi-Eçab, e um outro Maverick, com Paulo Prata, além de três outros Opalas, na mãos de Luis Rosenfeld, José Testa e José Tesouro. Ao todo, 11 carros na Classe C.
Na Classe A, 21 carros alinhariam: 19 Fuscas e 2 Chevette, inclusive o de Edson Graczyk, que havia ganho a etapa anterior do torneio, em Tarumã. Os destaques eram os pilotos que disputavam o título, com exceção de Arturo Fernandes, que não apareceu, Graczyk, além de Roberto Fanucchi e Ney Faustini.
A corrida seria disputada em uma única bateria de 8 voltas, entre as duas baterias de Fórmula Ford. Luis Pereira Bueno marcara a pole no treino, mas teve que realizar uma mudança de pneus de última hora, adotando slicks na traseira, menos propensos a sofrer com as mudanças realizadas na suspensão. Tal mudança acarretou em atraso de 30 minutos. Luisinho fez 3m13s, seguido de Camillo, com 3m15s7/10 e Campello, 3m18s9/10. O quarto fora Paulo Prata, com 3m30s7/10.
Quando finalmente foi dada a largada, Luisinho disparou na frente, seguido de Campello e Paulo Prata. Camillo não forçou o carro na largada, mas no fim da reta passara Campello, e na curva 3 ultrapassou Paulo Prata que assumira por pouco tempo o segundo lugar. Camillo permaneceu no segundo posto durante o resto da corrida. Tedesco não fez uma largada m muito boa, e passou em sexto, mas sua corrida não duraria muito: quebrou-se o motor e esvaíram-se as chances de ser campeão. O único gaúcho a sair de Interlagos campeão naquele dia seria Clóvis de Moraes, vencedor da Fórmula Ford. Portanto, ali Paulão ganhava o campeonato de 1975, mas restava a batalha da Classe A .
Vital Machado e Ney Faustini disputaram a ponta no início, seguidos de Amadeu e Fusetti. Vital logo se consolidou na frente: precisava da vitória, e Amadeu só poderia chegar em terceiro. Atrapalhado por algumas batidas, e pelo Dojão de Abi-Eçab, mais lento que os fuscas nas curvas, Amadeu fez excelente corrida. Seus sonhos estavam próximos de se concretizar, pois Faustini ficou em segundo durante seis voltas. Entretanto, Faustini rodou, Amadeu passou, e foi o campeão.
Assim acabava o que chamo de fim da promessa da Divisão 3. No ano seguinte, o número de concorrentes na Classe C foi pífio. O Maverick da Hollywood foi aposentado, Camillo não apareceu, e raramente corriam Opalas competitivos. Mesmo na Classe A, o nível de envolvimento dos concorrentes diminuiu, e o patrocínio da Caixa foi para a campanha de Alex Dias Ribeiro na F-2. A partir de 1977, desapareceria a Classe C, assim descaracterizando a categoria, que deveria incluir carros de todas as cilindradas.
Para 1977 o governo havia proibido corridas de longa distância, portanto as provas de Grupo 1 (antiga Divisão 1) passariam a ser curtas. Esse foi, sem dúvida, o golpe mortal na categoria, removendo qualquer possibilidade de voltar a Classe C. Os grids da Classe C do Grupo 1 eram cheios, incluindo diversos pilotos notáveis, como Edgar Mello Filho, os irmãos Giaffone, Marcos Troncon, Antonio Castro Prado, Alencar Junior, etc. A classe A sobreviveria mais alguns anos como categoria nacional, sendo rebatizada HotCars. A categoria também enfrentaria problemas, com falta de preparo dos participantes, e apesar de se falar que haviam 100 carros de Divisão 3 Classe A, em condições de corrida em 1979, a categoria se esvaiu, por falta de patrocínio que justificasse o investimento de manter os carros em condições de correr.
A Classe C da Divisão 3 sobreviveu, e até floresceu como categoria regional em diversos lugares do país. Geralmente chamada de Turismo 5000, carros grandes com alto nível de preparo correram por muitos anos no Brasil. Curiosamente, nessa fase regional, os Dodges e até mesmo Galaxies foram postos à prova, embora os Opalas e Mavericks continuassem a mandar na categoria. As corridas com Hot Cars também sobrevivem até hoje, com outros nomes, em diversas áreas do país.




Autor dessa materia CARLOS DE PAULA


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